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Como foi feito o refúgio na sua lavoura de milho?

by PestField / segunda-feira, 20 novembro 2017 / Publicado por Notícias

A safrinha está chegando ao fim, mas nem por isso é tarde para repensar práticas que podem aumentar a longevidade de tecnologias Bt

 

Perguntando de porteira em porteira a produtores de Mato Grosso se fizeram o refúgio na segunda safra de milho, é possível obter respostas das mais variadas. E encontrar daqueles que dizem ter feito em 5% da área àqueles que fizeram em 10%, 15% ou até 45%. Mas, afinal, quem está certo? E qual a melhor maneira de fazer valer a prática que aumenta a durabilidade da tecnologia Bt?

De acordo com o pesquisador Rafael Pitta, especialista em entomologia da Embrapa Agrossilvipastoril, o refúgio nada mais é do que uma área onde é plantado algum cultivar de milho convencional para permitir que sejam mantidas populações de pragas sensíveis à toxina Bt. “Vamos imaginar que ali no refúgio nascem insetos suscetíveis à toxina Bt, então, quando eles migram para áreas onde está o milho transgênico, e cruzam com indivíduos resistentes, produzem descendentes que podem manter a suscetibilidade”, explica.

Manejo – A fim de criar condições para que os cruzamentos aconteçam, no entanto, algumas premissas precisam ser respeitadas:

– A primeira delas, é que o produtor destine pelo menos 10% da sua área plantada ao refúgio.

– A segunda, que o refúgio não fique a mais de 800 metros da área de milho transgênico, por conta do alcance de voo das mariposas. (A essa distância, segundo Pitta, é alta a probabilidade de que um inseto suscetível ao Bt encontre outro resistente à toxina).

– E, por fim, que o milho não-Bt tenha porte e ciclo vegetativo semelhantes ao do milho Bt – além de serem plantados na mesma época, para permitir a sincronização do ciclo das mariposas.

Considerados esses pontos, os talhões de milho não-Bt podem ficar na bordadura da área Bt, somente nas suas laterais ou em faixas no meio da lavoura (conforme a figura acima). “Tudo depende da logística que for melhor para o produtor na hora do plantio”, afirma Pitta.

No caso das pulverizações, ele diz que não há problema em entrar com inseticida nas áreas de refúgio desde que o produtor faça um controle das populações de lagartas. “Se você entra em uma área de refúgio que não tem uma folha comida por lagarta, essa área não cumpriu o seu papel”, diz.

Hoje, os milhos transgênicos, segundo ele, têm proteção contra a lagarta do cartucho (Spodoptera); da espiga; lagarta elasmo e broca-do-colmo (Diatraea). “Para controlar essas populações na área de refúgio, o produtor pode aplicar o inseticida, sem excessos, porque o produto não tem 100% de eficácia, e não inviabiliza que haja insetos suficientes para cruzar com os indivíduos resistentes das lavouras Bt”, explica. A questão é não exceder as aplicações necessárias, o que pode selecionar também lagartas resistentes a inseticidas.

Com manejo adequado, Pitta afirma ainda que é possível garantir produtividades tão altas no refúgio quanto na área Bt. “O que vai ditar a diferença nesse sentido é muito mais o híbrido usado, porque se o teto produtivo das duas cultivares for próximo, a produtividade também pode ser”. De acordo com ele, não existe legislação que obrigue o produtor a fazer o refúgio, mas esse trabalho de conscientização é o que vai permitir que tecnologias transgênicas, que tanto tempo levam para serem desenvolvidas, tenham maior durabilidade.

Fonte: Portal DBO

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