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Mosca branca: praga ganha resistência e pode prejudicar ainda mais a soja

by PestField / terça-feira, 05 dezembro 2017 / Publicado por Notícias

A mosca branca está presente nas lavouras de soja, algodão, tomate e feijão e age como transmissora de doenças e fungos

Ainda considerada como uma praga secundária na agricultura brasileira, a mosca branca (Bemisia tabaci) já começou a tirar o sono de produtores e ser foco de pesquisadores. O inseto pode ser encontrado em plantações de soja, tomate, feijão, algodão e hortaliças. Segundo Cecília Czepak, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Goiás, a praga consegue se reproduzir em plantações de mais de 600 espécies de plantas.

Como se multiplica com facilidade e causa mais problemas em locais com altas temperaturas e clima seco, a mosca branca pode se tornar uma praga prioritária principalmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Segundo Edson Hirose, pesquisador da Embrapa, cada fêmea pode colocar de 40 a 150 ovos. Além disso, há indícios de que os defensivos podem perder eficiência no combate à praga. “A possibilidade de que ela desenvolva resistência rapidamente é grande”, diz o pesquisador.

 

Incidência de fungos e doenças

A mosca branca afeta muitas culturas e se multiplica rapidamente. Mas o pior é o fato de que ela é transmissora de várias doenças. Na soja, a mosca branca é uma praga sugadora e age desde o início da safra, quando a planta tem algumas folhas, até a fase reprodutiva. Ou seja, o inseto pode atacar a qualquer momento.

Porém, a mosca branca age de forma localizada. Ela não infesta toda a área da fazenda de uma só vez. Ela ocupa as bordas dos talhões e, gradativamente, toma as lavouras. Ciente desse comportamento da praga, o produtor pode focar o monitoramento e aplicações de defensivos nas bordas dos talhões.

 

Infestação rápida

O problema na lavoura de soja surge quando as fêmeas colocam os primeiros ovos e nascem as ninfas, que são a fase jovem da mosca branca. As ninfas não se movimentam, elas ficam “grudadas” e imóveis embaixo das folhas, sugando a seiva da planta. O inseto na fase jovem joga fora o excesso de seiva que é rico em açúcar.

Essa substância descartada se espalha pelas folhas e pode causar problemas. “Quando se tem uma população muito grande que gera esse excesso de açúcar, o fungo fumagina se desenvolve e escurece as folhas de soja”, explica Hirose. Como o fungo cresce em cima da superfície das folhas, ele impossibilita a fotossíntese, gera perda de produtividade e pode causar a morte das plantas.

 

Mosca branca na fase adulta

A fase de ninfa dura entre 18 e 25 dias. Em seguida, a ninfa se transforma em uma mosca branca adulta e as fêmeas iniciam a postura de ovos. Diferente do que acontece na soja, nas plantações de tomate e feijão o inseto age como um transmissor de doenças. “O adulto da mosca branca é como uma agulha de seringa contaminada, por onde ele pica transmite doenças”, diz o pesquisador da Embrapa. No tomateiro, essa praga pode transmitir até 16 tipos de virose. No cultivo de feijão, a doença mais comum transmitida pela mosca branca é o mosaico dourado.

 

Fonte: sfagro/Farming Brasil

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